Operação Charles Mingus

Um dia, eu me dei conta que precisava mudar meu estilo de vida... Tudo está registrado aqui

Sunday, April 09, 2006

Dia três

São cinco dias desde que essas coisas começaram a invadir minha cabeça. Mas, na real, só três desde que tive oportunidade colocar tudo em prática.

E até agora o plano vai muito mal. Não depositei o dinheiro no banco. Não paguei nenhuma conta. Pelo menos cortei o cabelo. Exagerei novamente na bebida numa sexta-feira supostamente boa. Isso significou um fim de semana perdido, com mais dinheiro gasto com comida de rua e, o principal, tempo atropelado.

Meu tempo é um caso sério. Ele passa rápido demais, sem que eu tenha feito nada. Neste exato momento são 23h45 e eu preciso ler um um trecho inteiro de um livro chato sobre ideologia e produção de sentido. Depois fazer uma espécie de "seminário" sobre ele. Na verdade é só uma apresentação em Power Point, mas o pessoal dá um nome bonito.

E agora que cada segundo perdido e cada centavo é desperdiçado, me dei conta que outros aspectos também estão pesando mais forte. Este fim de semana foi essêncialmente confuso no lado sentimental, que está uma outra bagunça enorme. Vou ter que encaixar um 10 pontos na Operação Charles Mingus para tentar dar um jeito nisso.

Na própria sexta Karol me chamou para sair. Eu não podia por razões óbvias. Precisava trabalhar num show, enquanto ela iria para outro. Além do fato de que todo o restante da minha vida social condena o simples fato que ela me deixa scraps. Nunca descobri o motivo, porque todos sempre parecem ser bastante particulares. E somente por isso, eu sempre deixo de fazer qualquer programa com ela.

Enfim. O complicado na verdade veio mais tarde. Acho que, de alguma maneira, ainda gosto de uma pessoa com quem tive uma história muito curta (coisa de horas) e nunca mais deu certo. Na madrugada de um show animado, ela me apresentou para um amigo e, logo na sequência, adicionou "Ele não gosta de Olinda". Ela ama Olinda. Vive e trabalha lá (na verdade, por lá, numa secretaria). Me senti um tanto antagonista a essa paixão dela pela cidade. E isso fez eu me sentir mal.

Mal pela quantidade de coisas envolvidas. Eu fui acabar gostando de uma pessoa que se sentiu ofendida por algo que eu escrevi. Algo que não era sobre ela, nem mesmo sobre a cidade de Olinda. E pela primeira vez me pareceu que o que eu escrevo deve ser, de alguma maneira, importante. Pela quantidade de associações feitas (uma banda -> uma cena -> uma cidade -> ela). Estou tentando não dá uma proporção desmerecida ao assunto. Não sei se estou apenas exagerando, como faço com frequência. Sei apenas que isso me deixou triste.

Amanhã, na verdade daqui a alguns minutos, é a primeira segunda-feira de toda essa história. Tem uma sensação de recomeço, sempre. Vou esperar para ver o que acontece.

Ouvindo Tribulations, do LCD Soundsystem

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